sábado, 6 de agosto de 2011

SALMOS DE UM DISCÍPULO MARGINAL


Como dói o peso da cruz que carrego nos meus ombros, senhor.


Por um instante, penso que não irei suportar todo derramar de sangue e suor que escorre pelo meu corpo, deixando-me fraco, descontente, com a aparência de um pobre viciado, que já não mais consegue controlar o pulsar dos seus desejos.

Sou inteiramente dor. 
Os meus olhos já estão cansados de enxergar a latente e brutal covardia diante da verdade que me acomete e da mentira que prevalece ao redor de mim.

Não consigo sequer respirar fundo, pois o ar que entra pelas minhas fossas, corrói os meus pulmões já cansados da labuta infinita.
Ao meu lado estão aqueles que me chicoteiam com seus aguilhões de ódio e de rancor.

Não tenho como negar-te as questões Senhor, os porquês.

Toma Senhor, os pedaços do meu ser, pois estou totalmente em cacos, semelhante a uma taça de cristal puro, quando não suporta a pressão dos gritos ensurdecedores.

Não posso viver em face da mentira Senhor. Ela me destrói. Ela me consome.
Sinto-me impotente frente à maldade daqueles que diziam estar ao meu lado.
Eles negociaram e venderam a tua verdade, como um feirante prestes à findar o dia no comércio. Não se importando mais com o produto, apenas querendo desfazer-se dele e obter o lucro.

Definitivamente, não agüento mais Senhor.

Se estais a me provar, já sabias desde a eternidade que minha fé é semelhante a um castelo de cartas, basta um sopro teu.

Se queres me fortalecer, porque primeiro me quebras em pedaçinhos?

Perdoa-me Senhor, por não compreender os teus propósitos.

Mas dentro de mim o teu Espírito ainda há de soprar um vento de esperança...


            DOUGLAS ELLE

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

AGOSTO


Se inicia o mês dos ventos.

Das rajadas tempestuosas e fortes dos sopros dos céus. Ou pode ser, para aqueles que vivem no litoral, um abanar das ondas do mar. Ou ainda, para os naturais do campo, um canto de ninar das árvores.
Os navegantes e amantes das profundezas do oceano, dizem ser o braço forte das velas e dos remos.
            O fato é que nesse período do mês de agosto, todos nós experimentamos a sensação gostosa da brisa que nos envolve e nos refresca em pleno sol do meio dia. Dizem que é o tempo das férias do calor do sol, onde ele, o astro rei do universo, descansa para o prazeroso trabalho que terá logo em seguida no verão.
            Tempo também dos voos planos dos Urubus, dos Bem-te-vis, que planam tão longamente que fogem do alcance da nossa visão.
    Das pipas nos céus, dos muitos carretéis que são descarregados. No meu tempo de garoto, isso tinha nome, era o “Batismo” das pipas, dos papagaios. Dizia-se, quando um carretel de linha era todo solto no ar, que estava “batizando o papagaio”.
Lembro-me dos Evangelhos, quando nos ensina sobre um vento forte, que às vezes é frio para alguns e tem um calor escaldante para outros e que até já se foi visto sobre forma de uma ave. Concordo com o Rubem Alves, quando perguntado se estava firme com Deus, respondeu: “de jeito nenhum. Deus é espírito, vento impetuoso que sopra em todo lugar. Quem está no vento não pode estar firme...Pois eu estou mais é como um urubu, lá nas alturas, flutuando ao sabor imprevisível do Vento sagrado”.
Assim como nos carretéis das pipas, prefiro ser totalmente descarregado de mim mesmo e ser levado a voar nas alturas dos céus, para ser batizado por esse vento forte e planar na imensidão do universo, do que ficar firme como uma rocha, parada, estéril, aguardando por uma pseudo força do além, esperando nascer assas nas minhas costas para alçar voo. 
Com um vento forte desses, nem é preciso de assas. É preciso apenas abrir os meus braços e deixar-se levar pelo sopro do mistério.

E pensar que já há algum tempo, para conhecer os três, não tenho feito três orações. Tenho voado!





DOUGLAS ELLE

sábado, 30 de julho de 2011

2 CORINTIOS 5:19


A descoberta do amor de Deus por nós, é traduzida na leitura simples deste verso, onde no auge do afã no mundo do desequilíbrio e do imediato, podemos experimentar o que realmente pode ser chamado de amor incondicional.
A feliz colocação do Apóstolo Paulo, a respeito do esquecimento de Deus com relação às nossas transgressões, nos torna totalmente puros ao seu olhar de amor. Sabendo que, o objeto desse esquecimento, em se tornando carne, revelou o mistério que antes estava oculto aos nossos entendimentos, a saber: “Vim para cumprir a lei”. 
Isso se torna fato em nossas vidas hoje, no momento em que morro para os meus desejos descontrolados e abandono-me literalmente nas mãos de Cristo, fazendo-me totalmente dependente de suas forças eternas, me tornando assim uma Igreja em Movimento.
A reconciliação que Deus fez conosco através de Cristo Jesus, não nos deixa qualquer possibilidade de barganhas com o seu amor, pois, para que haja um arrependimento, é necessário que se tenha primeiro um perdão. E esse perdão está posto na cruz do calvário, no sangue aspergido, no véu rasgado, no “está consumado”.
Só um amor perfeito faz isso, não leva em conta as nossas forças. Pois Ele sabe que não a temos suficiente para conseguir algo tão alto e glorioso assim.
Portanto, sem barganhas a fazer, sem trocas a executar, recebamos essa total entrega de amor, com muita alegria e disposição para refleti-lo ao mundo, através de nossas vidas sendo transformadas a cada amanhecer.
leia todo o texto e se deleite na palavra que é capaz de transformar corações de pedra, em corações que podem novamente aprender a voar livres.



DOUGLAS ELLE


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