domingo, 13 de maio de 2012

Flores, carroças e bois


Como se faz crescer um jardim?

Planta-se a semente em terra boa para que durante o crescimento ela tenha nutrientes suficientes. Depois, se perde um pouco de tempo observando seu brotar.
Bem soubesse toda gestante durante sua gravidez planta-se uma flor, pois toda futura mãe gostaria de saber o que se passa no seu ventre durante os nove meses. E observando o nascimento de uma linda rosa vermelha é possível saber o que se passa dentro de sua barriga.

Você sabia que podemos engravidar a terra?

Podemos engravidar a terra e nem precisamos ter sexo oposto, pois a terra é “Hermafrodita”.
E a terra estando gravida é possível acompanhar o nascimento do filho.

Sim, aqueles que plantam se tornam pais.
Quando o broto estoura a bolsa logo precisa resgar a terra ao meio para que possa dar o seu primeiro suspiro e a “mãe” que pode ser “pai”, precisa amamentá-lo regando aquele pequeno broto que nunca viu a luz do dia.

Os pais como sempre ficam preocupados, querem alimentar o filho em cinco em cinco minutos pensando eles que isso faz bem. Isso faz é mal. Deve ser por isso que o Brasil tem um dos maiores índices de obesidade infantil.

Mas planta não fica obesa, planta se afoga e caso os pais não tenham paciência em alimenta-las, serão culpados de homicídio e com certeza lá no céu responderam desse crime perante o Pai. 

Por isso, que não se coloque a carroça na frente dos bois, pois boi atrás de carroça não leva ninguém a lugar nenhum.

domingo, 29 de abril de 2012

Cego, surdo e mudo



Andei, andei e andei.
Até que me achei.
Por entre as complicações da vida.

Mas, me achei.

E, encontrei pessoas.
Encontrei sentimentos.
Encontrei o que nunca pensei que encontraria.

E, conversei sobre a vida.

Sobre a fé.
Sobre Deus.
Sobre o amor.

Mas, conversei tanto que estressei.

Comecei então a ouvir.
Ouvir as pessoas.
Ouvir o mundo.
Ouvir o que todos ouvem.

Mas, de tanto ouvir fiquei surdo.

Resolvi então enxergar.
Enxergar as pessoas.
Enxergar o mundo.
Enxergar o que todos enxergam.

Mas, de tanto enxergar fiquei cego.

Comecei a andar novamente.
Guiado por ninguém.
Nem sequer um cão guia.

E, me perdi.

Mas, perdi de perder-se.

Resolvi então parar, pois não quero me perder mais do que já estou perdido.
Só depois de estar cego, surdo e mudo, percebi que preciso de um norte.
Mas, norte de direção divina, a fim de que Ele faça um milagre e me cure dos olhos, da língua e dos ouvidos...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como surgiu o fim de tarde?



Com seu pincel melado de tinta e olhar detalhista, pegou mais uma de suas telas e resolveu pintar um quadro como costuma fazer todos os fins de tarde.
 
Logo começa a imaginar o que poderia ser pintado e começou a pensar:

-Quem sabe uma floresta? Pensou. Mas, lembrou-se que já tinha feito uma dessa.
-Quem sabe alguns animais? Porém, essa também Ele já havia pintado.
-E quem sabe um céu surrealista cheio de pontinhos brilhantes?
Todavia, também já tinha feito.
-Já sei! Irei pintar um mar com variações de verdes e azuis.
Entretanto, recordou que já tinha feito uma tela que a denominou “O DILUVIO”.
Então, vendo que já tinha pintado tudo aquilo que imaginara naquele momento, respirou fundo e optou por sair do comum e preferiu brincar com as cores pintando num azulejo com seus dedos. (Pintar com os dedos no azulejo é uma arte fantástica)

E, quando terminou “viu que era muito bom”.

Depois desse dia Ele prefere brincar com as cores e expor suas obras de arte todo fim de tarde no céu, a fim de que aqueles que observam suas obras aprendam a tirar um momento para sair do convencional e brinquem, não como gente grande, mas, como crianças.

E assim surgiu o fim de tarde...

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